Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


A incrível aventura da nossa língua comum

Quarta-feira, 02.06.10

Este post sobre o blogue Desde a Margem, que vem da Galiza, podia inserir-se na série "Do Tempo das Descobertas". Só que penso voltar a este espaço sonhado, às origens poéticas de uma língua comum, a que Fernando Pessoa chamou a sua pátria, a única pátria que reconhecia, a única pátria onde se respira livremente.

Nessa pátria de uma língua comum não há fronteiras territoriais, nem definições próprias da linguagem do poder. Esses são os limites das nacionalidades. Sendo livre, não tem de se sujeitar às regras redutoras de ministérios da Educação e da Cultura, nem de ficar à mercê da sua utilização oportunística pelo poder político. Esta pátria é dos seus falantes. Não sendo territorial, é um espaço sonhado. Da sua origem poética na Galiza, desceu como um rio integrando outros termos e outras vivências, depois sulcou mares, continuando a integrar outros termos e outras vivências. Abriu as vogais e tornou-se mais musical. Guardou relíquias no baú. Reencontrou-se em poetas. Quis encontrar um tronco comum. Temeu-se pela diversidade e especificidade. Ainda se teme.

Mas a aventura já se iniciou, é disso que este blogue nos fala. O seu autor, Celso Alvarez Cáccamo, é professor universitário e um estudioso da nossa língua comum. Diria mais: é um dos seus melhores guardiões. Quando lemos os seus textos percebemos a verdadeira dimensão desta aventura. A incrível aventura da nossa língua comum.

A crise da língua e um futuro possível revela-nos as dificuldades sentidas na Galiza na afirmação do galego como língua dominante e a importância de um acordo ortográfico que nos une numa língua comum.

Contrastes de línguas e nações refere a experiência catalã, bem sucedida, mas coloca a questão da Galiza numa perspectiva diferente, porque a sua realidade é diferente. É que, considerando todos os falantes desta língua comum, o nosso espaço sonhado, a Galiza não representa uma minoria de falantes, como os catalães, encravados entre os Pirinéus e o mar,  representa milhões de falantes em todo o globo. Essa é a dimensão desta aventura comum. Aventura que se iniciou nesse lugar poético.

Curiosidade: Celso Alvarez Cáccamo é o editor da Çopyright, uma revista electrónica de pensamento, crítica e criação. Outra aventura internáutica que deu voz a várias vozes: foi este professor dinâmico e dedicado que um dia descobriu uns textos que eu tinha a navegar e os acolheu na Çopyright. Conseguem imaginar a minha surpresa e a minha alegria? Estávamos em 97. 13 anos já, o tempo passa...

Sim, também lhes dediquei um poema:

À Çopyright:
Editor, Celso Alvarez Cáccamo
e a todos os Colaboradores
que fazem esse País Sonhado...


Andamos à procura de um Porto Sonhado
e ficamos sempre a olhar para trás
Esse Porto Sonhado
que sabemos não existir
começa a parecer-se com o Porto das Coisas Perdidas
Não haver terras com nomes como Sonolongo
nem um Porto das Coisas Perdidas
Não haver um rio muito azul que em vez de caminhar
para poente resolvesse descer para sul,
sempre para sul
Chegar a um porto por terra e não por água
Tudo ao contrário e tudo tão certo
Este Porto Sonhado
é muito mais real que o outro
o que vejo através dos olhos dos outros

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 19:40








comentários recentes



links

coisas à mão de semear

coisas prioritárias

coisas mesmo essenciais

outras coisas essenciais

coisas em viagem


subscrever feeds